quarta-feira, 28 de maio de 2014

Minhas 3 formas amar:

A fácil:


A intermediária:



A difícil:


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Saturno retornou comendo solto...

Giulia Lama (Venice c. 1685-after 1753) Saturn Devouring his Child

Porque ele retornou, me viu e disse: "I'll make you my bitch".
Mas, beleza, vamos em frente, aceitando a realidade e cortando os
lacinhos de aço amarrados em nome de sei lá quem com o que não 
me serve mais... pessoas, coisas, músicas, lugares, atividades, funções.

Peter Paul Rubens, Saturn Devouring his Son, 1636-38

O que chegou até agora? Preciso mais do que nunca de sentir a 
natureza mais frequentemente esse ano para conseguir respirar
melhor e renovar minha força de viver. Graças a ter adotado meu
cachorro, isso tem sido uma grande mudança. Sinto que quanta
mais natureza eu vivo, mais eu quero e mais eu preciso.

Francisco de Goya, Saturno devorando a su hijo (1819-1823)

Senti vontade de voltar a fazer terapia, senti vontade de desenvolver
uma observação mais apurada dos meus próprios pensamentos, 
das minhas próprias sensações. Sempre fui uma pessoa cheia de sonhos,
e objetivos, esses aumentaram muito nos últimos anos, mas de uma forma
negativa. Sinto que meus próprios sonhos e a ansiedade de percorrer o 
caminho até realizá-los está maior do que o prazer de descobrir os passos
um a um para alcançar o que quero. Além disso, perdi totalmente a fé no 
lado mágico da vida. Isso sim está me matando. Estudei tanto dentro do 
academicismo que abandonei meus próprios rituais, minha própria conexão.
A natureza tem sido uma UTI, ela cuida de mim, mas eu não consigo mais
interpretá-la tão bem quanto eu fazia quando era criança e adolescente.
Eu via os sinais, atualmente vejo uma névoa que me engole e embaça tudo.
Fica aqui esse registro, pois 6 meses disso já se passaram, e eu estou vivendo
este mês o apse da angústia, da agonia, e esse é um processo que não tem como,
você passa sozinho, você tem que fazer suas próprias desconstruções, tem
que se encarar, tem que se limpar, se reconectar, se esvaziar... e só depois de
muito chão, poder construir algo novo. Neste momento sinto que estou
no andar mais profundo do abismo do Retorno de Saturno, e agora o caminho é
do retorno de mim mesma, andar por andar, mais um para cima.
Ele voltou pra me ensinar que a minha pressa é maléfica, atropela os outros, 
como já aconteceu antes e atropela mais a mim mesma.
Ele voltou para me mostrar que tem sim a hora de limpar a casa, de
fazer uma faxina grande na alma, de jogar fora o que não é mais meu.
Esse é o momento, estou no clímax do Retorno.
Estou vazia, estou aberta, estou me limpando, estou deixando
para trás algumas coisas pelas quais sinto um apego enorme.
Estou aprendendo, e vou seguir o fluxo, ontem no meu sonho
ficou clara a mensagem, eu tenho que seguir o fluxo, e não cabe
mais a mim fazer o que faço tão bem, construir o caminho. Não.
Aqui eu não construo nada, eu só aprecio o que já está construido.
A natureza interna e externa. E assim, deixar a minha intuição renascer em mim.
Senhor Saturno, eu te recebo, eu recebo o medo,
a superação e a realização.