quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Luminarc, mon amour!




Nem sempre gostei de cerveja, na verdade até hoje não gosto.
Nem sempre gostei de vodka, na verdade só gosto hoje em dia.
Nem sempre gostei de cachaça, aprendi a gostar com meu vô.
Porém sempre gostei de vinho por graças a minha bisavó.

Minha bisavó gostava de uma tacinha de vinho tinto na hora do almoço.
E isso nunca teve nada a ver com o bem que se pode fazer ao coração.
Ela dizia que era na hora do almoço porque combinava com comida quente.
E que queria somente uma taça porque se fosse duas ela se embriagava.

Eu desde muito pequena sempre quis tudo o que ela queria.
Se ela comia bolo, eu queria bolo também.
Se ela bebia água, eu queria água também.
Se ela tomava um vinho, eu queria vinho também.
Minha mãe sempre cortava a minha vontade na hora com um mero "Mas!!!!!!!!"
Uma interjeição nordestina que eu sempre entendi muito bem pela intonação,
mas na verdade ela significa, "mas eu não estou dizendo que isso, que aquilo..."
um resmungo chato de gente mais velha, era o que eu interpretava.

Eis que minha bisavó me levava na cozinha escondida, colocava um dedo de vinho num
copo colorido (era meu copo na casa da Dona Nina...) e enchia de água com uma colher de açúcar... cortava uma maçã em cima bem fininha e mexia, mexia, mexia...


Dona Nina dizia pra mim baixinho "uma sangria".
Dona Nina dizia pra todos bem alto "um suquinho".

E eu sempre achei esse ritual muito mais subversivo do que tudo ali, porque além de eu ter um
drink com um gosto muito mais apropriado pro meu paladar infantil, eu também tinha umas maçãzinhas de bonus que caiam super bem com o gosto amadeirado e meio ácido do vinho e um monte de água que tornava tudo bem mais leve e saudável... e é claro... o nome da parada, era SANGRIA.

Sempre me senti um pouco anticristo, ou supercrista. Como queiram.

Hoje, eu adoro vinhos e essa lembrança me traz somente coisas boas, aromas: de cozinhas, de gente, de móveis, de cortinhas...
flashes: de mãos, de vestidos, de sapatos, de cachorros
dizeres...de tanta gente... foi fácil começar a gostar de vinho.

Esse post é para a Luminarc, que enfeita tão bem a minha mesa e que mostra tudo o que um bom vinho faz num bom almoço ou jantar.




sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

tremeliques




meus
cabelos
embaraçados,
os olhos
nus
.....
famintos e molhados
o instinto provocado
- a boca úmida -
e na pele
o medo
de tua ser
de nem te ter
de um mal fazer
de muito sofrer
de louca viver
/ \

de me esvair, assim, como essa fumaça.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

apanhado para 2010


Bom, 2009 foi um ano de mil descobertas, principalmente na área espiritual.
Prefiro manter essas descobertas suspensas aqui no blog e falar delas em um post separado.

No trabalho, nos relacionamentos em geral, tudo na paz, mais compreensão,
mais força, mais disponibilidade, mais sensibilidade, mais estabilidade, mais
carinho, mais atenção... de mim para os outros, porque dos outros eu sempre
tive tudo isso e nem sempre retribuía da forma mais justa.

Estou longe de ser o que quero espiritualmente, estou só no começo da minha jornada.

De resto...
Fiz uns cursos, tirei mais uma certificação internacional pro meu currículo, tive um convite especial de uma senhora muito querida para voltar à academia, fazer mestrado. =D

Fui indicada para fazer o treinamento de examinadores de Cambridge, concluí sozinha
dois projetos na biblioteca da escola:
*Projeto 1: recatalogação dos livros, codificação de livros novos, gramáticas, dicionários,
reestruturação das legendas de nível e triagem das revistas com cd, sem cd, revistas que podiam ser recicladas, etc. Dei uma turbinada na biblioteca, resumindo. É claro que a minha alma altruísta não é tãããão altruísta assim, estou longe disso ainda, infelizmente. O que acontece é que no início do ano passado eu vi o enorme carregamento de doações e livros novos nas caixas que tinham chegado. Eu sabia que não ia ter espaço, e fora isso, as horas trabalhadas entraram no acordo de compensação, ou seja, eu uni o útil ao agradável, por que não? ;P

* Projeto 2: montar um esquema com TODOS os meus alunos a partir do 3° nível básico, ou seja 7 de minhas 8 turmas, para a leitura de 4 livros no semestre, sem encheção, para num bate-papo discutir sem pretensão, livremente sobre os livros lidos (cada aluno lia o que quisesse, compatível com seu nível) e tomando chazinho, num literal "círculo do livro", usando as minhas open lessons pra isso.

É claro que o segundo projeto foi o que mais abalou minhas estruturas e a dos alunos também, tive alunos lendo 7 livros durante o semestre, ao invés de somente 4, tive aluno me contando o quanto tava chateado de não ter dado tempo de terminar mais de 1 livro, tive aluno advogado dizendo que agora queria fazer letras porque tava amando literatura. Tive sugestões de dentro do staff e de fora sobre montar uma turma só de literatura e discussão nas sextas-feiras, como um curso paralelo.

Resumindo, bombou, e eu vou continuar com esse projeto esse semestre.

Mas com certeza 2009 foi um ano de mudanças, nas crenças, no jeito de pensar sobre as coisas, no jeito de encarar o que eu leio, principalmente materiais teóricos, mudanças que eu devo inteiramente ao Fred e ao Gaspa, por tantos chazinhos das 5 no parque da cidade, ou aqui em casa em 2009, por tantas conversas, por tanto brilhantismo no que eu ouvi, por tanta vontade de se pensar sobre grandes questões de forma mais leve, menos doentia.

Viajei com meu gatão pra lugares conhecidos e desconhecidos esse ano, ficou na memória, em algumas fotos e no meu coração, viajar... quem não gosta, né?

Em termos de saúde, meu corpo reagiu com uma saúde que me faltou em 2008. Único problema de 2009: bronquite em julho. Duas semanas de dor, agonia e sem respirar como um ser humano. PORÉM ... TCHARAAAAAAAM! consegui não ir ao hospital, consegui aguentar, consegui não tomar nenhuma injeção de corticóide, não usar NENHUMA bombinha de asma, consegui passar por ela bravamente, nebulizando e chorando, mas sem destruir meus ossos com medicamentos malditos. Premiação: NÃO TER NENHUMA CRISE DESDE ENTÃO. valeu!

Fiz 2 cirurgias de dentes, tirei os sisos e sinto minha boca bem mais confortável depois disso. Fiz uma limpeza especialíssima, restauração de detalhes e um clareamento nota mil!

2010 começa com muita leitura, volta à vida na academia, muito menos turma, meu amor dando conta do recado por ele e por mim, investida em um processo difícil de estudos acadêmicos, pesquisas, projetos no trabalho, uma viagem para Julho que promete ser inesquecível, meu avô xodó-mor, voltando pra Brasília, para morar a 2 minutos da minha casa, e um projetinho de urgência: o dermatológico.

Dermatologista é outra especialidade que eu adoooooooooooooooooooro! Acho todo o processo interessante, aprendo muito com os dermatos, aprendo a cuidar da minha pele e de quebra da pele dos que amo. Às vezes errando, obvio, esqueço o filtro de vez em quando, mas poxa, já uso muito mais do que eu usava, é só continuar tentando. Preciso tirar umas manchinhas do rosto, na verdade são como umas sardinhas embaixo dos olhos. Não to gostando. Preciso dar uma clareada também e renovar os meus cosméticos preventivos... já passei dos 25, agora é investir pesado.

Dra. Alice vai cuidar de mim esse ano.

Muita energia e férias eternas (até fevereiro) devem ser bem investidas. ponto final

domingo, 3 de janeiro de 2010

do orgasmo em cores


оргазм, se diz na língua de Clarice,
não se sabe ao certo quem foi que disse,
contudo, na minha língua o nome é orgasmo
relacionado ao sexo, é um tipo de espasmo.

me explique agora como é possível
que tal sensação indescritivelmente incrível
se instale na conexão ventre-mente
como um arco-íris demente

tudo começou, como sempre na sinestesia,
saboreando aromas calientes com magia
tudo nesse moço me provoca pulsação
de baixo pra cima ou vice-versa, sem razão

um toque a mais, um odor de surpresa
às vezes suavidade, às vezes firmeza
qual foi o livro que ele consultou...
qual foi a professora que o ensinou?

meu corpo perde as rédeas da minha égua
solta a crina, sem medo de futuras tréguas
e quando eu acho que meu ventre vai explodir
eis o momento que lembrar me faz sorrir:

como um quadro de Dalí, surrealismo nasce
em cores e formas variadas mesmo que eu mirasse
elas se perdiam na dança em outras imagens
e eu sem saber onde eu estava naquelas miragens

me ensina como você fez, meu Osíris...
pra transformar meu sexo em arco-íris
pra me dar cores pra formar e desmanchar
pra me mostrar mais um jeito de amar