domingo, 29 de maio de 2016

Outdoors

Começamos a projetar espaços juntos em desenho 
quando nos mudamos da kit pro apê. A gente realmente
começou a desenhar os ambientes e isso ajuda a ter noção
de espaço quando vai rolar uma decor total diy.

Eu confesso que sinto uma coisa gostosa quando planejamos
juntos um ambiente. Um frio na barriga gostoso, me sinto
brincando de arquiteta. Ele se preocupa muito com as proporções,
eu me preocupo muito com a combinação de cores e os materiais.

Lá fora, nesse verdão imenso ao lado de uma matinha tão viva,
a gente começou por esse espaço externo. Um banco de concreto,
invenção somente dele, meu deckzinho de eucalipto de 
reflorestamento com uma lanterninha à luz de velas, 
e de background scenery, a nossa Plumeria rubra, ou jasmin-manga,
que dá o perfume mais doce que já senti durante a floração, mas que
agora descansa um pouco, recobrando as energias para o próximo show.

Nela eu quis a gaiola do aniversário de passarinho da Helena, 
uma lanterna de luz elétrica e 3 vasos de petúnias colorindo a árvore.
É uma delícia sentar lá fora, e ficar horas brincando com a baby e com
o Martino. A proteção solar é toda feita por um teto de folhas de galhos
altos da mata, uma sombra plena para dias super quentes.

 (o espaço iluminado à noite, bem aconchegante)

(meu café-da-manhã de Dia das Mães lá fora, com minha fofinha)

O segundo espaço externo que projetamos foi o banco que ele mais queria,
com vista para a montanha. Eu confesso que demorei a acreditar nesse espaço, 
mas quando eu me sentei nesse banco, de frente pra nossa casa, eu entendi tudo.
A vista dele realmente é... OXIGENANTE!
Você sente vontade de respirar fundo quando olha a vista. 
A resolução em dupla foi: plantar podocarpos (Podocarpus macrophyllus)
ao longo do muro da vizinha.
E nas laterais do banquinho, buxinhos (Buxus sempervirens) médios.
Ficou um charme. Tentamos umas lanternas de iluminação solar,
mas não deram muito certo, optamos por deixar o poste da rua fazer o trabalho.

(o espaço visto de frente)

(a montanha que vemos lá atrás quando sentamos no banco)

(testando o banco)

Viemos morar nessa casa em fevereiro. 
Estamos em maio e ela já é tão a nossa cara.
Quero dar muitas festinhas nessa casa,
quero lembrar pra sempre dela, quero aproveitá-la ao máximo,
quero ficar grávida aqui.
Sensação boa de estarmos tão... VIVOS.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Labor, em português


Esses dias eu estava pensando muito sobre TRABALHO,
mais precisamente sobre o que é o meu trabalho e meus sentimentos
em relação a ele. Logo fiquei curiosa pra saber sobre outras pessoas,
suas relações e compreensões em relação ao seu próprio trabalho.
Bateu uma vontade monstra de fazer essa pergunta para o maior número
de pessoas que eu conseguir. E logo depois eu quis que algum instituto
de pesquisa realizasse essa pesquisa com todas as pessoas do mundo, mas
logo fiquei triste porque eu não conseguiria pagar nem por uma pesquisa
no meu próprio condomínio hahahahaha

Em seguida me veio um pensamento interessante: pensei sobre a
diferença entre os sentimentos que me causam as palavras LABOUR
e WORK, em inglês. São sentimentos diferentes. Work me remete muito
mais à tarefas, a verdadeira práxis do trabalho. E Labour me transmite
uma grandiosidade muito maior, como se dentro desse conceito coubesse
a minha missão de vida. Eu sei que normalmente quem fala de MISSÃO
é uma galera mais conectada com a própria religiosidade ou espiritualidade
do que eu, mas eu acredito que a minha missão está na sala de aula. Acredito
nisso por causa de como me sinto.

A profissão de professora me realiza num nível que muitos considerariam
espiritual. Digamos, para ficar mais fácil, que eu me sinto plena numa escola,
por causa das coincidências que vieram até mim, por causa das pessoas que
me parecem ser muito mais fantásticas no trabalho, meus colegas de profissão.
E pelos alunos que vêm parar nas minhas mãos. Sinto algo de mágico nessas
relações, o quanto meus alunos me fazem pensar, me desenvolvem, o quanto
eles me mostram perspectivas que eu nunca alcançaria sem eles. E o quanto
eu algumas vezes contribuí, o quanto resolvi algumas confusões, e o quanto
nem sempre foi sobre inglês. Pra mim parou de ser trabalho. Virou missão.

Eu sinto uma necessidade muito grande de que o clima esteja bom no meu
trabalho. É como se eu trabalhasse muito melhor quando as pessoas estão se
dando super bem e estão felizes e realizadas. Aposto que tem gente que é mais
independente do que eu nisso. Eu queria saber de todo mundo. Queria só ouvir
as pessoas falando da própria relação com seus trabalhos. Por mais profundas ou
superficiais que elas possam ser... queria muito...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Garden blossom


sexta-feira, 13 de maio de 2016

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Casa da Flor - São Pedro d'Aldeia






Essa casa é uma obra de escultura e arquitetura de Gabriel dos Santos, um senhor ex-escravo e trabalhador das salinas de São Pedroa d'Aldeia. Foi construída durante várias décadas com entulhos e pedacinhos de objetos, como ele mesmo dizia, "coisinhas de nada", conchinhas, botões, vasilhas, lamparinas, lixo industrial, restos de automóveis. A construção era uma casa feita de "caco transformado em flor". Esse passeio foi um dos que mais me marcou em viagens, a transparência da alma de Gabriel dos Santos me tocou, é como se conseguisse conhecer ele, conhecendo apenas a sua casa. Claro que o que fez a casa famosa e não somente a obra de um velho louco, foi a comparação por estudantes estrangeiros com os muros do Park Guell, de Gaudí, mas sem dúvida essa obra é capaz de tocar o coração de muitos, nos faz pensar na vida dos escravos, na vida de quem trabalha no sol a pino, nos faz pensar em sentimentos escondidos e muito sutis de nós mesmos. Gabriel dos Santos nasceu em 1893 e morreu aos 93 anos, em 1986. A Casa da Flor foi estaurada em 2001 e hoje é patrimônio fluminense tombado. Vale a visita.