sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Resoluções de 2014

(Caminho pra Chapada dos Guimarães, de uma viagem inesquecível)

Pelo visto 2014 foi um dos anos mais produtivos desses últimos todos!
Terminei meu mestrado, o que foi uma saga muito louca que só 2012, 2013 e 2014
saberiam contar com detalhes, nesse último ano de mestrado, produzi a dissertação.
Escrevi esse livro contando os dias, os dedos gastos e as páginas para ele acabar.
Claro que escrever uma dissertação de mestrado não é o mesmo processo criativo
de escrever um livro de poesias, contos ou um romance, que me deixam muito
mais animada e curiosa sobre as fases do processo do que a escrita acadêmica.
Mesmo assim, foi muito bom ver o resultado, poder me conhecer dentro dessa forma
de pensar acadêmica, descobrir minhas dificuldades e meus poderes mágicos dentro
do processo de voltar a estudar formalmente num nível mais profundo que o da graduação.
Gratidão imensa em primeiro lugar por todos os autores que conheci, suas teorias, formas
de pensar o mundo e a literatura, questionamentos, revoltas, amor e ódio. Minha bibliografia
me deu um prazer imenso durante esses anos todos e vê-la reduzida ao que realmente 
contribuiu para a minha pesquisa, nas últimas páginas de referências realmente doeu, muita
coisa linda que conheci no mestrado não tinha como entrar como contribuinte da minha
pesquisa. Em segundo lugar, aos meus companheiros de curso, que multiplicaram minha
compreensão, minha interpretação, me fazendo voar pela imaginação, gratidão por poder
conhecer um pouco a pesquisa de cada um de quem me aproximei nessa jornada.
E por último aos meus professores, que souberam explanar os conteúdos todos provocando
nossas respostas, nossas impressões, e nos fazendo pensar formas novas e inusitadas para
questionar o futuro do academicismo literário nos âmbitos da crítica e da teoria. 
Foi simplesmente maravilhoso saber que esse caminho me agradou genuinamente, 
me trouxe prazer e feedback positivo de que eu contribuo bem para esse sistema e me 
presenteou com a certeza de que sei bem o que quero da vida de estudos nesse momento.
Amadurecer no descanso fora da academia para regressar na hora certa em um nível mais
profundo, no qual eu exija ainda mais de mim mesma e das minhas capacidades mentais.
Esses agradecimentos acima são todos para o universo, os que deviam ser agradecidos 
pessoalmente por me suportar, me apoiar, acreditar em meu potencial, me inspirar e me 
dar vontade de fazer ainda melhor, já foram todos um por um mais do que agradecidos.

Durante a parte mais difícil da escrita da dissertação uma alma incrível decidiu vir habitar
minha barriga, nossa casa, feita de 3 seres, agora espera a quarta figura com muito amor e 
muita sensação de que essa vida é mesmo mágica, e a história simplesmente se escreve da 
forma como deve ser. Jornada incrível de informações sobre saúde da gestante, do embrião, 
do feto e depois do bebê, sobre nutrição, formação, divisão celular, culturas ancestrais do 
gestar, do gerir família, forças místicas, fé, questionamentos do mundo racional, pé no chão, 
economias, cálculos, exames médicos, consultas, tipos de parto, a dificuldade de parir ao
natural no Brasil e no mundo, grupos de apoio, doulas, troca de equipe médica, encontrar a 
nossa médica, duvidar do sistema, acreditar no nosso núcleo familiar como estabilizador de
energias e afastador do medo da violência obstétrica. Tudo isso foi trazido a nós por uma 
criatura que não conhecemos bem ainda, conhecemos seus hábitos, seus movimentos tão 
gostosinhos de sentir, conhecemos seus solucinhos e suas ginásticas... mas é tão pequenina,
e ao mesmo tempo tão revolucionária. Revolucionou um lar inteiro de uma só vez. O susto
da descoberta de vida no ventre, a compreensão do que isso realmente é, a minha vontade 
de planejar gravidez indo por água abaixo com a surpresa absoluta, a vontade do defensor
da espontaneidade sendo feita pelo destino, a preparação, a mudança do corpo... nada disso
se compara à alegria deste mês de gestação. A plenitude, a COMPLETUDE, o preenchimento,
a segurança, o esperar ensinando a ansiedade pelo behaviourismo mais amoroso que existe,
A imaginação, a vontade de tocar e conhecer, a vontade de cheirar e cuidar e simplesmente
se colocar no papel de ajudar esse ser a conhecer o mundo, da forma como essa história de 
vida deve ser vivida. PERDER O CONTROLE. 

2014 chegou com um tsunami que destrói e leva embora o que estava numa posição frágil,
fechando meu retorno de saturno com ensinamentos tão grandiosos que vou demorar alguns
anos para conseguir mensurar cada um deles. Concluiu a suspensão da minha terapia por
tempo ilimitado até que o retorno se mostre necessário (Valeu, Aline, sua feiticeira) e me 
trouxe todas as respostas para as minhas questões sobre o preciosismo da vida por si só. 

Ando lendo bastante sobre 2015, mas se tiver uma vontade grande a ser realizada, que
eu possa continuar sendo levada por essa maré da vida, com menos ansiedade, aceitando
e observando como o destino borda suas vontades, ignorando por completo a minha 
necessidade de controlar tudo por medo. Abrir mão do medo, planejar menos, organizar
menos, acreditar que o que tiver que ser vai ser, tem sido um grande exercício espiritual,
que me mostra com carinho a aceitação e leva embora a frustração e a pressa.

Como diria o Zeca... "deixa a vida me levar, vida leva eu!" Feliz 2015 para todos os seres!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Helena,
do indo-europeu
ancestral índio?
ancestral, eu.

Vem nascer
na terra fértil,
sair da água,
conhecer o fútil.

Aqui fora,
é coisa demais,
gente que não come...
empresários canibais...

Por falar em Carne:
comemos seres vivos,
adotamos os quase mortos,
reprovamos abortivos.

No país que a gente mora,
homem vadio é sedução,
e mulher vadia:
merece punição.

E aqui na sua casa
Cachorro parece Gente
mas o mundo lá fora
a gente chama de CÃO.

Parece difícil,
mas você vai entender,
a gente vai te mostrar,
explicar tudo pra você.

You don't know me

(foto: 7 anos atrás)

You Don't Know Me
(Caetano Veloso)
You don't know me
Bet you'll never get to know me
You don't know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
From behind the wall

"Nasci lá na Bahia
De mucama com feitor
O meu pai dormia em cama
Minha mãe no pisador
Laia ladaia sabadana Ave Maria
Laia ladaia sabadana Ave Maria

You don't know me
Bet you'll never get to know me
You don't know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
From behind the wall

"Eu você nos dois, já temos um passado meu amor
Um violão guardado, aquela flor
E outras mumunhas mais"

Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, Centro, Sul inteiro
Onde reinou o baião

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

(cut from Mother and Child, oil painting, by Klimt)

Eu queria só te explicar que eu não sei...
Não sei de mim, nem do mundo,
nem das coisas, nem das pessoas...
Não sei de nada que gostaria de saber,
Passei a vida procurando as respostas,
por alguns momentos achei que tinha
até encontrado algumas boas.
Mas vem você e me tira todas as 
minhas certezas, e me faz ver o quanto
somos pequenas e o quanto uma resposta
nunca vai ser suficiente para saciar a pergunta.
Pois cada pergunta pode ser respondida de
tantas e tantas formas... que não há nem ao
menos uma centena de respostas corretas.
É muito além disso. Existem os níveis, 
existem os contextos, existe o acreditar
e o ceticismo, existe a resposta profana e 
a sagrada. E existem os inquisidores, é
importante saber quem pergunta... mas será
que é possível saber quem realmente é?
E quem responde? Quem sou eu ao responder?
Quem será você? Que respostas dará a este mundo?
Filha, é tudo tão confuso e complexo...
Num primeiro momento, seremos só olhares...
E aprenderemos a perguntar e responder com 
nossas íris. Depois, você vai aprender a falar.
E depois a ler... e quem sabe um dia me ajude
a entender algumas coisas sobre... isso aqui. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

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