segunda-feira, 16 de agosto de 2010

morar a dois


Eu sempre imaginei desde pequenininha essa cena.
Eu, crescida, vivendo numa casa com o amor da minha vida.
Eu fui criada para não imaginar muito casamento, com vestido,
igreja, buffet, essas coisas, porque... meus pais eram meio hippies.
E além de tudo, meu pai é inglês e desde pequena ele deixou claro que acha
tudo isso de casamento uma breguice só.
Eu pensava com uns 7 anos "foda-se, minha Barbie casou, eu caso"
mas depois o tempo foi passando e eu fui percebendo que o meu
dia de sonho, de princesa, minha vida ideal era sempre a mesma cena
no meu imaginário de pessoa romantiquinha que eu sou:
EU, ADULTA, JOGANDO CABELÃO,
PONDO A BOLSA POR CIMA DO
OMBRO,
PEGANDO COM MINHAS UNHAS IMPECÁVEIS UM MOLHO DE
CHAVES BEM SONORO
E DEIXANDO UM BILHETE PRO MEU AMOR,
saindo e fechando a porta toda concentrada e arrumada para ir trabalhar. 
Isso deve parecer uma loucura pra todo mundo,
mas essa idealização sempre foi a minha top.
Uma vez eu pensei em casamento porque uma ex-sogra minha era louca 
por casamentos,
achava lindo e me deu de presente uma revista "noivas".
Eu, que sou facilmente levada pela imaginação através de imagens,
viajei no pensamento e foi muito divertido brincar com isso,
com esse princesismo que eu não tenho até hoje.
Tem coisa que não dá. Casamento de princesa é uma dessas coisas pra mim.
Eu casaria, mas meu casamento seria tããããão 
diferente, tããããão hiponga, tão naturebinha... tão ecumênico.
Mas eu achei uma graça imaginar. Eu também já fui madrinha duas vezes e adorei.
Negócio de madrinha de casamento é uma sensação muito legal,
mas de novo... a minha idealização quando madrinha
não era o momento de entrar na igreja como madrinha,
nem de assinar o livro e nem de ser uma princesa do 
grupo de princesas da noiva.
Para mim, só 2 momentos me piraram.
Foi a escolha do presente mais foda que você pode dar e o momento da benção.
Acho uma delícia gastar o máximo que eu conseguir com um presente que eu
quero que seja muito bem aproveitado em momentos muito especiais,
depositar naquele presente todo o meu amor e a minha vontade e força,
escrever um cartão... inesquecível.
Eu realmente curti esse momento do presente 2 vezes com a mesma intensidade.
E o momento da benção... putz, é difícil não chorar.
Ali estão os melhores amigos.
Os mais próximos, os que acompanharam tudo.
Você olha pra eles e você ta ali.
E todo mundo ta de olhos fechados, mentalizando muita coisa boa. FODA.
Mas de novo... casamento pra mim, o que me dava arrepio gostoso na coluna
era imaginar eu tocando a minha vida, na fase independente financeira,
junto com alguém que por enlouquecer por mim e eu por ele,
topasse enfrentar uma vida juntos.
Parece idiota, mas é exatamente como eu imaginava,
e tem detalhes que são muito melhores.
Quem já morou junto com um amor, sabe. Você ta ali e a pessoa também.
Isso meio que não dá para voltar atrás. Tipo, claro que dá, é só se mudar,
mas a realidade te mostra que você toma mais cuidado
na hora de macular algo numa briga.
E a pessoa que ta com você também toma muito cuidado.
As pessoas regulam muito mais as palavras,
por causa de um medo do outro jogar O SAGRADO no buraco se um dos 
dois usar a palavra errada.
Não existe muito tempo para charminhos, não existe coragem de sair
e passar a noite fora. Não, cara, as pessoas ficam mais cuidadosas,
e por mais raiva que você tenha, ou que a outra pessoa tenha,
tem que resolver o problema. Não tem jeito.
É tão legal essa parada... A gente começou morando numa kit, que é onde moramos até
hoje e ainda vamos ficar aqui uns meses, já vamos mudar pra um lance maior ano que vem.
Nunca me imaginei saindo daqui porque ainda sou totalmente pirada com essa casa. 
A decoração, os ambientes que a gente imaginou juntos, 
o porquê da nossa cama japonesa,
os abajures que o Fred fez com bambu que ele mesmo foi
escolher e cortar e modelar, e passar verniz e desenhar... a mesa da sala.
As várias vezes que a gente foi na tokstok e se sentou nos futons do ambiente japonês
simulando um jantar a 2, 
os criados-mudos que ele sempre quis e até hoje a gente não comprou...
a cadeira de cineasta que a gente decidiu junto não ter.
O mural de fotos, o novo mural de fotos... a nossa discussão
na qual descobrimos que adoramos não ter porta-retratos.
Os quadros. O cesto de roupa suja.
As mil descobertas do Fred em elétricas, lojas de construção, de decoração... as prateleiras.
Os armários. As decisões. As lâmpadas, os lustres, o chuveiro, o vaso sanitário, o vazamento, 
as manchas, os ajustes, os consertos, a assistência técnica. 
As minhas invenções que às vezes não eram práticas,
mas ele cedeu e com muuuuuuuuuita paciência. 
A ponto de no final eu pensar "eu teria me mandado praquele lugar, que chatice a minha".
Os aromas, os incensos, as velas, as essências, os pot pourris, a adega, o novo computador,
a nossa vibe de vinho tinto, depois a nossa mania de vinho branco 15º...
a época da xiboquinha para receber os amigos,
as festas temáticas que eu inventei e ele morrendo de rir me ajudava nos detalhes. 
Os momentos em cima da cama com revistas e lugares,
planejando poupanças e viagens.
As listas de supermercado. Os fondues, as doenças, as dores,
um ajudando o outro, o tocar o foda-se
para a night, cada dia era um fazendo isso.
O parque da cidade atrás do condomínio, o nosso jardim.
As mil aventuras em banco.
O concurso do Fred, o meu aumento.
Os fins de semana.
A minha sogra me trazendo sopinha em casa quando eu to doente.
A minha mãe estourando champagnes quando
o Fred formou, quando o Fred passou e foi chamado, e nos aniversários do Fred. 
O meu pai me olhando daquele jeito de quem respeita o outro,
aceitando que a filha cresceu, podendo contar comigo como adulta.
O pai do Fred... sempre me perguntando se a gente ta precisando de alguma coisa,
sempre me examinando em qualquer problema de saúde que eu tivesse.
Sempre sorrindo, sempre ali.
As mil viagens pra casa da Tia Suely, tia do Fred, lá no RJ,
os filmes com o Helder, as canções com o Luidinho, a
s mil fotos que eu levei pra Recife para apresentar o Fred,
a mudança do meu vo pra Brasília,
a vida de casado... a gente ta sempre aqui.
Buenos Aires... nossa primeira viagem internacional...
O cuidado. A paz. O amor.
As declarações que mais emocionam não são as que eu imaginava.
Eu te amo ficou em segundo plano depois de tudo o que eu já ouvi sobre
os nossos bebês =))))))).
Eu sou sua ficou em segundo plano depois de outras coisas.
Não é que a gente não diga "eu te amo", é que isso tem um significado muito além do que eu pensava.
Eu sempre quis alguém ali pra TUDO.
Um alicerce, uma fortaleza. Um cúmplice, um time.
Eu nunca tinha tido do jeito que eu queria. HOJE EU TENHO.
E é tão mais massa do que o que
eu imaginei. É tão enriquecedor, dá tanta vontade de ser melhor a cada dia. 
You make me wanna be a better girl.
E mesmo que algum dia eu não tenha mais isso, vou ter saído no lucro.
Aprendizado que fica pro resto da vida, conviver é uma arte, um dom... e,
às vezes, uma filosofia de vida.

sábado, 14 de agosto de 2010

mais uma vez


mais uma vez depois que eu te canso o corpo,
aguardo você, sempre tão leve, dormir absorto,
mais uma vez com os lábios entreabertos,
se encosto em você seus beijos vêm certos,
mais uma vez, mesmo enquanto dorme,
eu testo suas vontades e as minhas conforme,
mais uma vez escorro meus dedos na espádua nua,
e me sinto mais faminta quando olho para a lua,
mais uma vez pressinto a promessa de uma noite longa,
e torno a embalar meu quadril no seu em sublime milonga...

domingo, 8 de agosto de 2010

misturando



Gente, esse post é pra divulgar um blog que eu adoro.
Só de esmaltes, novidades nas prateleiras e misturinhas.
Dá pra encomendar também um esmalte personalizado.
É da minha amiga Monna Povala e o endereço é esse aqui:
ela realmente ta mandando muito bem no blog porque ela 
fala de uns detalhes que a gente sempre quis saber!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Buenos Aires


Gente, a viagem foi tudo e mais um pouco. 
Eu simplesmente achei tudo muito fofinho lá em Buenos Aires.
É uma cidade bem grande, tudo o que se espera de uma capital antiga.
Prédios antigos muito bonitos, aquele centrão movimentado, fácil de encontrar tudo.
Tem muita gente nas ruas, muita mesmo, muita gente miserável como tem aqui.
Isso eu não sabia, não imaginava e como nós, eles merecem que essa situação mude.
As pessoas tem que poder viver com dignidade nas belas cidades, senão nada adianta.

Aproveitamos tudo. Foi uma delícia, uma verdadeira lua-de-mel. 
A lua-de-mel com gostinho de Europa mais em conta do mundo!
Mesmo não sabendo falar español, até arriscamos e nos demos muito bem.
O Fred no segundo dia já acordou falando "Mi amor, vamos despertar?"
Algumas confusões de entendimento, mas nada que durasse mais de 30 segundos 
para consertar. Que povo musical como nós! Que língua fascinante!
Os bairros, realmente são muito interessantes e o tempo que eu investi estudando tanto 
sobre a viagem realmente fez efeito, eu sabia pra onde virar nos lugares certos,
em lugares que nunca pus os pés! Foi muito bom ter uma compreensão maior.
Encontramos minhas amigas lindas e visitamos o Gaspito, que pelo visto está muito bem por lá.
Conhecemos pessoas agradáveis e interessantes durante esses 10 dias e as nossas aventuras 
de cafés e beijinhos no metrô e correria nos aeroportos, duty free e tudo o mais foram um deleite.
Eu recomendo Buenos Aires para quem tá afim de dar um tempinho pra descansar e sair do Brasil 
sem gastar muito.
O hostel que ficamos era um chuchuzinho, maravilhoso, pequeno, perfeito pra casal, e a nossa cara. 
Muito rustiquinho, com um quê de podrão nos lugares certos, como o bar e o hall de música.
Um elevador daqueles de filme de terror cuja porta é uma sanfona, eu me diverti muito!
O quarto muito limpo e arrumadinho, com cheirinho bom, um chuveiro delicioso super forte!
Estávamos no centrão mesmo, a 3 ruas da Plaza de Mayo, que é como a Trafalgar Square de BA.
Cheio de turistas e de gente que trabalha ali pertinho, dando um tempo num lugarzinho legal pra fumar,
beber um cafezinho ou qualquer coisa do tipo.
O Caminito é realmente um tesourinho, tem que ver, é lindo, muy guapo! 
O melhor lugar de BA pra comprar lembrancinhas a um preço reasonable.
E as fotos? Ahhh, as fotos... os parques, Palermo, o bairro verde.
Uma delicinha, e Puerto Madero realmente é uma orla deliciosa de se passear, entrar em lojinhas ou curtir um visu de vegetação muito diferente na Reserva Ecológica.
O Jardim Botânico foi um dos lugares que eu mais gostei, eles cuidam de gatinhos de rua lá.
Um bairro do qual eu esperava mais identificação é San Telmo, achei que eu ia desmaiar nas lojinhas 
que vendem os artigos no Marché aux Puces que tem no domingo, mas pelo passeio que dei nas lojas, 
realmente para compras de artesanato e arte local, eu prefiro a Rua Peru mesmo.
Achei San Telmo e suas lindas quinquilharias ligeiramente... não, não, é legal, vai!
Muito legal a casa que o Gaspa mora e cada habitante daquele lugar, um grupo muito rico.
O Museu de Belas Artes é imperdível! Mais que todos os outros que a gente foi.
O Teatro Colón é um charme, mas não entramos, e por fora, a construção que mais me
deixou boquiaberta foi a Faculdade de Direito que fica do Lado da Flor de Metal que abre e fecha.
Quem ainda não foi pra BA e quer ir, pode falar com a gente que temos tudo arquivado, as dicas,
os sites, a pesquisa de preços de 2010 e muitas dicas de economia e de Casas de Câmbio que não nos
roubaram em nenhum centavo. Sobre os argentinos em si, é exatamente o que eu imaginei, um povo
caloroso como qualquer povo latino, isso eu prefiro em 100% das situações e sim, 
malandragem com tentar passar a perna tem lá como tem em vários lugares do mundo, inclusive aqui. 
Garçons tentando cobrar a mais, MUITOS LUGARES NÃO TRAZEM CONTA POR ESCRITO.
Taxistas que dão voltas a mais pra sair mais caro, gente que fala rápido para causar uma confusão 
no entendimento e você ter que desisitir da discussão e falar "ok".
São loucos. Em um aspecto apenas. Admiração de seus ídolos.
A gente tem ídolos, mas temos mais bom-senso. E bom-senso é sempre agradável. Sempre.
Gosto de brasileiro que diz "o Pelé foi um grande jogador, mas ele foi muito safado nisso e naquilo."
Também gosto de quem fala do Getúlio, bem e mal e não acha que ele é da família.
Lá todos os ídolos são da família e eu tenho certeza que o sentimento é por aí. 
Bairrismo para todos os lados, muito interessante e engraçado. 
Gostei do bairrismo deles, é divertido.
Gostamos de nossos ídolos mas não os mistificamos. Não damos poder de entidade religiosa.
E sim, to generalizando. Maradona, Gardel e os Perón não são tudo o que eles pensam.
Entendo a coisa de ídolo, eu respeito essas pessoas por suas profissões, como respeito meus ídolos.
Não sei explicar o que estou tentando dizer. 
Tem que ser brasileiro e agir normalmente e viver o que eu to falando,
todo mundo vive, ta escrito em qualquer blog de dicas de BA.
Tem que ir lá e vivenciar situações e ficar com o queixo caído.
Para mim essa foi a melhor sensação. Ver de onde eu vim. 
Eu já sabia, eu sou brasileiríssima, to aqui desde os 4 anos. 
Brasília me constituiu como pessoa e eu tenho muita alegria quando penso nisso, sou do Brasil, 
sou de Brasília e carrego isso pra onde eu vou, eu amo minha terra. 
E gosto de ver como as pessoas reagem a isso. 
Quando os argentinos perguntavam de que parte do Brasil eu era, eu sentia um quentinho, 
uma dorzinha gostosa no peito e na garganta e dizia com um sorriso "Brasília.", devagarinho, para eles ouvirem direitinho. 
"Ahhhhhhhhh, la capitaaaaaal!" 
Como isso me deixava feliz, como a conversa desenrolava
de uma forma prazeirosa depois desse barulho dessa frase. 
Obrigada, argentinos, por todas essas sensações.
E por todos os cariños, de tantas e tantas vezes em 10 dias vcs colocarem música brasileira
para nos recepcionar, para nos emocionar.
E viva a Argentina! Viva!